Sábado, 26 de Fevereiro de 2005

Chaves - Figuras Ilustres

Hoje o Beto, publicava no seu blog uma foto antiga de um trecho da Rua Direita. Precisamente a casa onde Nasceu o Coronel Bento Roma. Nome muito conhecido em Chaves, que dá nome a uma das principais ruas da cidade.

Pois aqui fica a gravura da casa e um pouco de história.

granjo-grav.JPG

CORONEL BENTO ROMA

Bento Esteves Roma nasceu em Chaves em 2 de Janeiro de 1884. Era filho de António Gonçalves Roma, estabelecido na Rua Direita, e de sua esposa Josefina Augusto Esteves, que pertencia a uma família de Vilar de Perdizes.
Até aos onze anos viveu com seus pais, que perdeu pouco depois, deixando de frequentar o colégio de S. Joaquim, do p.e Joaquim Marcelino da Fontoura, e transferiu-se para Amarante com um tio materno, o erudito p.e Augusto Cândido Esteves, que era lá professor do Liceu, onde fez o terceiro ano.
Falecido o seu tio, completou os estudos secundários em Guimarães e Lamego, ingressando em 1903 na Universidade de Coimbra.

Frequentou a Escola do Exército de 1906 a 1908, indo como aspirante para Mafra, sendo promovido a alferes, em 1909 e colocado em Chaves, no R.I. 19.
Era o oficial mais novo da Universidade, em Outubro de 1910, à data da implantação da República, cabendo-lhe a honra de içar pela primeira vez a bandeira do novo regime. Serviu como tenente em Angola de 12-1-1912 a 27-12-1913, comandando vários postos. Voltou a Angola em 1915, procedendo à ocupação de Cuanhama sob comando do Gen. Pereira de Eça, de quem teve um meritório louvor. Em Dezembro de 1916, como capitão, acompanhou para a França a missão da arma de infantaria que foi aperfeiçoar-se junto dos nossos aliados ingleses. Quando teve de bater-se nas primeiras linhas, fê-lo com galhardia, animando os seus camaradas, surpreendendo o inimigo em impensado atrevimento. Em 9-4-1918, em sangrento combate de La Lys, foi prisioneiro dos alemães, sendo no entanto relembrado pela sua valentia. Seguiu-se o cativeiro até o final da vitória dos aliados. Foi promovido a major por distinção. Foi condecorado com várias condecorações, entre elas as três Cruzes de Guerra, a Torre e Espada e Legião de Honra. Volta a Angola em 1920, sendo governador em várias províncias. Em 1930 foi governador de Angola. Faleceu em 23-12-1953 com o posto de Coronel. (Carneiro, Francisco Gonçalves - Temas Flavienses).

Nota: Para quem já viu (hoje) o blog e a imagem publicada com outro texto, é natural, pois o texto foi alterado. Errei e peço desculpas pelo facto, na realidade a casa em causa, é a casa onde nasceu o Coronel Bento Roma e não o Dr. António Granjo, como eu referia no post erradamente publicado. As minhas desculpas e um agradecimento ao Beto (sempre atento às coisas de Chaves) que deu conta do erro.

publicado por Fer.Ribeiro às 01:12
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6 comentários:
De FR a 26 de Fevereiro de 2005 às 19:14
Ói Beto,
"Caso de polícia" resolvido. De facto quem nasceu nesta casa foi o Coronel Bento Roma e não o Dr. António Granjo. Lapsos e erros da idade, esta cabecinha já não é o que era, ou aliás é mais um lapso idêntico a um dos que cometo frequentemente. Esta confusão entre Bento Roma e António Granjo é a mesma que cometo quando preciso de ir a Stº António de Monforte, e vou para Nogueira da Montanha e, só quando chego a Nogueira é que dou conta que me enganei. Isto já não são bem casos de polícia, já são mais casos de psiquiatra. Enfim, sou assim, já não há remédio.

Obrigado pelo comentário, sem o qual não teria feito a devida correcção.


De humberto serra a 26 de Fevereiro de 2005 às 11:40
Há aqui uma dúvida, havia quase em cima da ponte nas Caldas uma casa, que foi demolida, e que tinha na parede um lápide que dizia: "Nesta casa nasceu António Granjo", agora tu dizes que foi na rua Direita, não quero ser teimoso, mas garanto que me lembro dessa inscrição nessa casa. Temos que averiguar este "caso de polícia". Tenho uma imagem das Caldas com essa casa que hoje vou publicar a propósito desta questão.


De Antonio Lobo a 24 de Março de 2011 às 14:29
Já agora, para completar informação, essa mesma casa foi oferecida à câmara municipal pela minha prima Lela (filha do Coronel Bento Roma) assim como uma série de medalhas de honra do Pai (posteriormente levadas para um museu em Lisboa).


De Morais Silva a 3 de Março de 2012 às 22:03
O Coronel Bento Roma não foi autor de qualquer acto de bravura em La Lys como está provado pelo então Capitão David Gonçalves Magno, este sim, capitão que combateu durante quase 3 dias junto de tropas escocesas como é atestado por estas em público louvor. Foi Dantas que publicou a notícia que dava Bento Roma certamente morto após uma carga heróica de baioneta. É claro que não houve qualquer acto de bravura de Roma e muito menos qualquer carga de baioneta. Cerca de 1 mês após La Lys soube-se que Bento Roma estava preso sem ter dado um tiro à frente da sua companhia como era, no momento, a sua obrigação e dever. Foi incorrectamente condecorado com medalha de Cruz de Guerra que deveria ter-lhe sido retirada após o julgamento de David Magno no TMT do Porto onde foi absolvido por unanimidade dos jurados das acusações indignas que Bento Roma lhe fez na Escola do Exército em conferência ocorrida em 1921. Magno é absolvido mas a Roma que pòs em causa as suas honra e dignidade nada sucedeu...


De Fer.Ribeiro a 3 de Março de 2012 às 22:47
Agradeço o seu comentário pois vem confirmar aquilo que eu aprendi da história, ou seja o dela ela ter sempre duas ou mais versões. A que eu deixei escrita é a que consta nos livros cá do sítio e defendida pelos historiadores locais.


De tamara_junior a 2 de Abril de 2014 às 22:18
Meu caro Morais Silva,
Refere, no seu comentário a este post sobre o coronel Bento Roma um processo que teria como base as afirmações, numa palestra na Escola do Exército, em 1921, que este coronel proferiu quanto ao Capitão David Gonçalves Magno sobre o comportamento deste capitão no palco de operações de La Lys e que deu origem a um processo judicial. Estaria, muito sinceramente, interessado em saber, no possível pormenor, os contornos deste processo que, de todo em todo desconheço. Será que o caro amigo podia me aprofundar mais o contexto do polémica e processo, em abono da verdade histórica? Ficar-lhe-ia imensamente grato. Pode, querendo, me responder, pessoalmente, para o meu e-mai:- sousa.silva@sapo.pt.Desde já os meus sinceros agradecimento e cumprimentos,
Amtónio de Souza e Silva


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